Estou no mercado de educação a distância há 30 anos. Nesse período, acompanhei praticamente todas as grandes tendências do setor. Vi tecnologias transformarem o mercado e outras desaparecerem tão rápido quanto surgiram.
E, depois de tudo isso, existe uma lição que continua valendo para qualquer negócio: não basta seguir a tendência do momento. É preciso agregar valor.
Ao longo dessa trajetória, tive a sorte de construir relacionamentos em todas as empresas por onde passei. Até quando um projeto não alcançou os resultados esperados, o respeito e a confiança permaneceram. Muitos desses gestores continuam fazendo parte da minha rede de contatos até hoje.
Talvez por isso, com certa frequência, alguém do meu network me chama para um café para apresentar uma ideia que acredita ser genial.
Já ouvi de tudo.
Desde comprar terrenos no Metaverso até criar cursos on-line sobre o tema que está em evidência para aproveitar a onda do momento.
Algumas dessas ideias realmente têm potencial.
O problema é que a maioria nasce da mesma lógica: escolher uma tecnologia ou um assunto que está em alta, desenvolver uma solução rapidamente e colocá-la no mercado esperando que as vendas aconteçam quase automaticamente.
Infelizmente, não funciona assim.
Antes de investir tempo, dinheiro e energia em qualquer iniciativa, eu costumo fazer quatro perguntas.
A primeira: essa solução resolve um problema real?
Ela será relevante para quem vai comprá-la? Se a resposta for não, provavelmente será apenas mais uma “espuma” no mercado.
A segunda: essa solução já existe?
Se já existe, qual é o diferencial? Ela oferece uma experiência diferente, uma abordagem inédita ou alguma inovação que realmente faça sentido?
A terceira: se não existe um diferencial claro, existe autoridade?
Quem está lançando essa solução é uma referência no assunto? O nome da pessoa ou da empresa é suficiente para gerar confiança e fazer alguém escolher esse produto em vez de tantos outros?
E, por fim, a quarta pergunta (e a mais importante): qual é o valor que essa solução entrega?
Porque, no fim das contas, ninguém compra tecnologia por tecnologia. Ninguém compra um curso on-line apenas porque ele fala sobre o tema da moda.
As pessoas compram soluções para problemas reais.
Se nenhuma dessas perguntas for respondida de forma convincente, as chances de sucesso diminuem muito. É como insistir em dar um tiro n’água.
Pode parecer um raciocínio óbvio, mas a realidade mostra o contrário.
Nos últimos anos, pelo menos uma vez por mês, algum contato do meu network me procura para conversar sobre uma nova ideia de negócio.
Curiosamente, quase todas essas conversas começam falando sobre a tecnologia que será utilizada ou sobre o tema que está em alta.
Raramente começam pela pergunta que deveria vir antes de todas as outras: que problema essa solução resolve?
Depois de 30 anos trabalhando com educação corporativa, aprendi que tendências passam, tecnologias mudam e novas plataformas surgem o tempo todo.
O que nunca sai de moda é gerar valor para quem está do outro lado.
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