O que mais aparece no mercado hoje são especialistas em IA. Todos falam das vantagens, das otimizações de processos, da antecipação de etapas, do que pode ser construído em curto espaço de tempo, do que resolve na nossa vida etc.
No mercado de e-learning esse movimento é evidente. Começou com a IA revisando textos e melhorando roteiros. Depois, para reduzir custos, áudios passaram a ser gerados artificialmente — perfeitos para locuções técnicas, mas ainda limitados quando precisam transmitir emoção. Agora, storyboards inteiros são criados via IA, com personagens, fotografias e vídeos… e algumas empresas já investem em prompts capazes de gerar cursos completos, praticamente sem esforço humano.
Ou seja: todo o processo de construção de um curso — do briefing à proposta pedagógica, passando pela identidade visual, roteiros, programação das telas até a publicação em SCORM — vai simplesmente dar lugar a um prompt que faz tudo?
Ok. Vivemos em um país onde, sempre que surge uma crise econômica, as verbas de treinamento estão entre as primeiras a serem reduzidas. As produtoras de e-learning precisam enxugar custos para se manterem competitivas — ou até sobreviver — e acabam vendo a IA como solução.
Mas e o processo criativo? E aquela ideia que mistura storytelling com gamificação? A “bossa” que sempre diferenciou uma empresa da outra, mesmo usando processos e ferramentas semelhantes?
Hoje está tudo ficando tão parecido, tão “com cara de IA”, que arrisco dizer: vai chegar o momento em que as boas e quase esquecidas “boutiques” de treinamento corporativo voltarão com força. Projetos feitos de forma mais artesanal, respeitando etapas, intenção e contexto, tendem a ser cada vez mais valorizados.
Em tempo: esse texto foi escrito por mim. E talvez isso, em breve, volte a ser um diferencial.
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