Validação em e-learning não é burocracia. É governança.

Quando trabalhei na Menes LearnInsight (empresa que foi incorporada à AfferoLab), aprendi uma lição fundamental para a gestão de projetos educacionais: revisão não é etapa burocrática, é governança de projeto.

Na época, usávamos uma ferramenta de acompanhamento baseada em Extranet para organizar o fluxo. O cliente registrava os comentários on-line, tela a tela, o gerente classificava as demandas (design, programação ou conteúdo) e distribuía para as áreas. Cada ajuste era corrigido e passava por validação final antes do envio. O controle on-line reduzia bastante o risco de solicitações se perderem.

Embora as ferramentas tenham evoluído, a essência permanece. Etapas como Storyboard, Projeto de Identidade Visual (PIV) e protótipos navegáveis em SCORM continuam sendo importantes na validação em e-learning. É ali que o cliente precisa aprovar a estrutura, a abordagem pedagógica, o visual e a navegação.

Afinal, alterar texto no PowerPoint ou layout estático é simples. Alterar centenas de telas, animações e vídeos já produzidos custa caro e desgasta o time de produção.

E vivi isso na prática.

Certa vez, enviamos o storyboard e o PIV para um cliente e, em menos de um dia, a resposta voltou: “Validado. Sem ajustes.” Como sabíamos que uma aprovação tão rápida era um sinal de alerta, insistimos para que revisassem com calma. Explicamos o impacto de avançar sem um olhar atento, mas a decisão foi mantida.

Seguimos.

Projeto pronto e enviado, veio a surpresa: o cliente não ficou satisfeito e cerca de 70% da solução precisaria ser refeita.

Em outra ocasião, o projeto foi aprovado pela equipe do cliente, mas, quando já estava publicado na plataforma, um diretor que não havia participado do processo inicial solicitou alterações profundas no escopo.

Nas duas situações, tínhamos todos os registros e aprovações formalizadas. Como a refação era expressiva, acionamos a área comercial e os clientes concordaram em pagar pelo retrabalho. As novas versões foram entregues com sucesso.

No entanto, ficou claro para mim que garantir o pagamento do aditivo não é o objetivo final de uma boa liderança. O retrabalho gera desgaste, consome a energia do time e compromete a relação com o cliente.

Dessas experiências, consolidei duas regras essenciais para a liderança em T&D e E-learning:

Quanto mais cedo uma decisão pedagógica ou visual é validada, menor o custo de mudá-la e menor o impacto na operação do time.

Tão importante quanto saber o que está sendo validado é mapear quem realmente tem a palavra final, garantindo o alinhamento dos stakeholders e decisores desde o Kickoff.

No fim, uma gestão robusta de e-learning não se limita a entregar o escopo contratado e proteger o contrato. Trata-se de criar, desde o início, um ambiente de clareza, alinhamento de expectativas e previsibilidade para todas as partes envolvidas.

Compartilhar
foto do autor

Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

SAIBA MAIS

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

whatsapp