O desafio não era digitalizar um treinamento de 40 horas. Era reinventar a forma de aprender (com uma pitada de IA).

Certa vez, recebemos um grande desafio: uma empresa do setor automotivo precisava transformar um treinamento presencial de liderança, com cerca de 40 horas de duração, em uma solução digital.

À primeira vista, bastaria converter o conteúdo para uma trilha online. Mas, ao analisar o material, ficou claro que isso não resolveria o problema. O formato mudaria, mas a experiência continuaria cansativa para os participantes.

A solução não foi simplesmente digitalizar o treinamento. Foi redesenhar toda a experiência utilizando Blended Learning, reservando o ambiente online para a construção da base conceitual e o encontro presencial para discussão, prática e tomada de decisão.

Estruturamos o projeto em duas etapas complementares.

1ª etapa – Base conceitual

Os conteúdos teóricos foram reorganizados em módulos online mais dinâmicos, permitindo que cada participante estudasse no seu próprio ritmo e chegasse ao encontro presencial com uma base comum de conhecimentos.

2ª etapa – Aplicação prática

A segunda fase foi transformada em um jogo de tabuleiro desenvolvido especialmente para o projeto.

Reunidos em equipes, os participantes utilizavam o tabuleiro como um mapa estratégico para enfrentar desafios inspirados em situações reais envolvendo mercado, finanças, processos e crescimento da empresa.

A cada decisão, precisavam discutir alternativas, avaliar consequências e aplicar, na prática, os conceitos aprendidos durante a etapa online.

O treinamento deixou de ser uma sequência de apresentações para se transformar em uma experiência de colaboração, tomada de decisão e aprendizagem ativa. O engajamento dos participantes mudou completamente.

E onde a Inteligência Artificial entrou nessa história?

Toda a concepção pedagógica, a mecânica do jogo e o design gráfico foram desenvolvidos pelo nosso time.

A Inteligência Artificial foi utilizada como uma ferramenta de apoio ao processo criativo e de produção. Ela nos ajudou a:

– validar e balancear as regras do jogo;

– enriquecer a dinâmica e simular diferentes desfechos para os desafios dos cards;

– acelerar parte do processo de desenvolvimento.

Certamente, poderíamos ter concluído o projeto sem utilizar IA. Mas por que abrir mão de uma ferramenta capaz de acelerar o trabalho e ampliar as possibilidades de análise?

A IA não substituiu o design instrucional nem a experiência da equipe. Ela potencializou nossa capacidade de criar soluções de aprendizagem mais consistentes e eficientes. Cada vez mais, acredito que o diferencial não está em utilizar Inteligência Artificial ou gamificação isoladamente. Está em saber combinar metodologia, tecnologia e design instrucional para criar experiências de aprendizagem que realmente façam diferença para as pessoas e para o negócio.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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