Mais do mesmo?

Outro dia, tomei um café com um amigo de longa data do mercado de e-learning. Designer gráfico, daqueles que atravessaram praticamente todas as fases da área: Flash, HTML puro, objetos de aprendizagem, ferramentas de autoria, mobile learning, microlearning, IA generativa…

Em determinado momento da conversa, ele comentou algo interessante: apesar de toda a evolução tecnológica, muitos projetos acabaram ficando parecidos entre si.

E isso não acontece por falta de talento das equipes.

Na verdade, o mercado mudou bastante nos últimos anos. As empresas passaram a buscar produções mais escaláveis, rápidas, responsivas e sustentáveis financeiramente. Além disso, o crescimento das plataformas, dos templates, dos modelos prontos e agora da IA acelerou ainda mais essa padronização.

De certa forma, isso trouxe ganhos importantes:

  • maior velocidade de produção
  • redução de custos
  • facilidade de atualização
  • escalabilidade
  • acesso mais amplo ao treinamento

Mas também criou um desafio interessante para quem trabalha com aprendizagem corporativa:

Como continuar gerando engajamento e experiência relevante em meio a formatos cada vez mais parecidos?

E aqui entra um ponto importante: inovação em e-learning nem sempre significa usar a tecnologia mais nova do mercado.

Às vezes, inovar é simplesmente repensar a experiência de aprendizagem.

Recentemente, participamos de um projeto que trouxe exatamente essa sensação para a equipe.

O cliente, uma fábrica automotiva de nível mundial, queria algo além do treinamento tradicional. Após algumas conversas, entendemos que parte do conteúdo era mais conceitual e outra parte dependia muito mais de tomada de decisão, troca entre equipes e aplicação prática.

A solução encontrada foi dividir a experiência em duas etapas. A primeira virou um treinamento on-line mais direto e objetivo.

A segunda se transformou em uma dinâmica presencial baseada em um jogo de tabuleiro físico, onde pequenos grupos precisavam aplicar os conceitos aprendidos para resolver situações do dia a dia da empresa.

Nada disso era “revolucionário” do ponto de vista tecnológico.

Mas foi muito interessante perceber como a mudança de formato gerou envolvimento, discussão, colaboração e interesse genuíno das pessoas.

E talvez esse seja um dos pontos mais importantes hoje no T&D corporativo:

O mercado não precisa necessariamente de experiências cada vez mais complexas. Mas precisa de experiências que façam sentido para a realidade do aluno.

Mesmo em um cenário dominado por IA, automação, analytics e produção acelerada, aprendizagem continua sendo uma experiência humana.

No fim, tecnologia ajuda muito.

Mas relevância, contexto e engajamento continuam sendo os elementos que realmente sustentam a aprendizagem.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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