Eu gosto de escrever. E, junto disso, praticamente toda minha trajetória profissional esteve ligada à educação a distância.
Comecei em 1992, ainda como estagiário, em uma empresa que desenvolvia cursos em disquetes — isso antes mesmo da internet fazer parte da rotina das empresas. Depois vieram os projetos de treinamento corporativo, a fase de documentação e mapeamento de processos por conta da ISO 9000 e, naturalmente, a necessidade de estruturar conhecimento de forma mais prática.
Foi aí que comecei a escrever um livro sobre gestão de projetos de e-learning.
Depois de alguns meses de escrita, compartilhei o material com profissionais do mercado. O retorno foi praticamente unânime: o conteúdo prático era muito bom, mas faltava embasamento teórico para sustentar os conceitos apresentados. Voltei para pesquisa, revisão, referências… mas, no meio da correria do dia a dia, o projeto acabou engavetado.
Anos depois, voltou aquela vontade de escrever. Só que o mercado já era outro.
O que antes seria um livro acabou se transformando em um blog chamado “e-learning na prática”. Peguei todo aquele conteúdo, reorganizei em pequenos temas e publiquei dezenas de artigos sobre desafios reais de projetos, erros comuns, processos, estratégias e aplicações práticas.
O resultado me surpreendeu.
O blog trouxe visibilidade, abriu portas para novos projetos e, de certa forma, me transformou em alguém reconhecido dentro do mercado de educação corporativa. E o mais curioso é que isso aconteceu muito mais pela experiência prática compartilhada do que por fórmulas prontas.
E talvez seja justamente aí que entra uma reflexão importante para os dias de hoje.
Estamos vivendo uma era em que uma IA, com um bom prompt, consegue gerar conteúdos, trilhas, apresentações e até projetos inteiros em poucos minutos. A tecnologia evoluiu de forma impressionante.
Mas, junto com essa velocidade toda, algumas perguntas começam a ficar ainda mais importantes:
O treinamento resolve um problema real?
O conteúdo é relevante para aquela equipe?
Existe aplicação prática no dia a dia?
Ele melhora desempenho, produtividade, segurança, vendas, atendimento ou tomada de decisão?
Porque, no fim, conteúdo por conteúdo nunca foi o verdadeiro diferencial.
Talvez o diferencial continue sendo algo mais difícil de automatizar: contexto, experiência, curadoria, repertório e entendimento real das necessidades das pessoas e das empresas.
Estamos cada vez melhores em produzir conteúdo.
Mas será que estamos igualmente preocupados em gerar resultado?
Pergunta provocativa:
O que é realmente relevante hoje dentro de T&D?
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