Há alguns anos, participamos de um projeto para uma grande empresa brasileira que contratou um pacote de cursos on-line. O primeiro seria um piloto.
Logo na reunião inicial, o cliente explicou o processo:
“Para cada curso, queremos três propostas de layout para escolher uma.”
Até aí, parecia normal. Mas, ao analisar os projetos anteriores, percebemos um padrão curioso: layouts muito genéricos, criados apenas para serem “bonitos”, sem necessariamente conversar com o tema do treinamento, com o público ou com a experiência de aprendizagem.
E o processo acabava gerando um ciclo infinito de ajustes:
. mistura de elementos de uma versão com outra
. alterações sucessivas
. retrabalho
. perda de identidade visual
. desgaste da equipe
. aumento de custo e prazo
O famoso “layout Frankenstein”.
Como era nosso primeiro projeto com aquele cliente, inicialmente seguimos o fluxo já estabelecido. E, de fato, foi um processo pesado: muitas idas e vindas até chegar à aprovação final.
Mas, no segundo curso, propusemos uma mudança simples: em vez de apresentar três layouts genéricos, apresentaríamos uma única proposta — totalmente conceitual e construída a partir do briefing do projeto. E apresentado em reunião, não simplesmente enviado por e-mail.
Não seria apenas “um layout bonito”.
Seria um projeto gráfico pensado para:
. o tema do curso
. o perfil do aluno
. os objetivos do treinamento
. a linguagem do conteúdo
. a experiência de navegação
Ao invés de dividir designers criando alternativas aleatórias, colocamos toda a equipe pensando junta em uma solução única e consistente.
E o resultado mudou completamente.
O cliente percebeu a diferença imediatamente. Pela primeira vez, o projeto visual não parecia algo “adaptável para qualquer curso”, mas uma experiência criada especificamente para aquele treinamento.
A aprovação aconteceu praticamente de primeira.
Mais do que reduzir retrabalho, aquilo mudou a percepção do próprio cliente sobre o papel do design em projetos de e-learning.
Porque projeto gráfico não deveria ser apenas uma etapa estética.
Ele faz parte da aprendizagem.
É o visual que ajuda a sustentar:
. clareza
. navegação
. engajamento
. ritmo
. hierarquia da informação
. experiência do aluno
Principalmente hoje, em um cenário com mobile learning, excesso de informação, conteúdos rápidos e disputa constante pela atenção do usuário.
No fim, um bom projeto gráfico não é o mais “bonito”.
É o que consegue traduzir o conteúdo em uma experiência coerente, intuitiva e alinhada ao objetivo do treinamento.
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