Storytelling: quando o contexto fez a diferença

Há alguns anos, participei de um projeto para desenvolver um curso on-line sobre a utilização do módulo de RH do SAP. O objetivo era ensinar os colaboradores a realizar procedimentos como solicitação de férias, consulta ao banco de horas, licenças e outras rotinas do dia a dia.

Até aí, nada muito diferente de tantos outros treinamentos de sistemas.

Mas havia um desafio: o cliente não queria apenas um curso tradicional baseado em demonstrações de telas e simulações de procedimentos. Segundo ele, esse formato já havia sido utilizado anteriormente e a adesão dos colaboradores foi baixa.

O pedido era claro: o conteúdo precisava ser mais leve, contextualizado e envolvente.

Durante as discussões do projeto, surgiu uma ideia interessante: em vez de apresentar diretamente os procedimentos do SAP, criar personagens vivenciando situações reais de trabalho.

Por exemplo, uma colaboradora prestes a entrar em licença-maternidade precisava organizar sua saída. Outro funcionário precisava registrar e solicitar a aprovação de horas extras realizadas em um projeto urgente. A partir dessas situações, os procedimentos do sistema eram apresentados de forma natural e contextualizada.

Além disso, o treinamento foi dividido em duas versões. A primeira era voltada para os colaboradores, abordando procedimentos como solicitação de férias, registro de horas extras e outras demandas relacionadas à sua rotina. A segunda era direcionada aos gestores, que precisavam analisar, aprovar ou reprovar essas solicitações dentro do sistema.

Na prática, o curso combinava storytelling com simulações do SAP.

O resultado foi muito positivo. Os colaboradores conseguiam entender não apenas “como” executar cada procedimento, mas também “quando” e “por que” utilizá-lo.

Essa experiência me trouxe uma reflexão que continua bastante atual para o mercado de e-learning.

Muitas vezes, as discussões se concentram em qual metodologia é melhor: storytelling, microlearning, gamificação, vídeo, podcast, IA, simulação ou qualquer outra tendência do momento.

Mas talvez a pergunta correta seja outra:

“Qual metodologia faz mais sentido para aquele objetivo de aprendizagem?”

Nesse projeto, o storytelling funcionou muito bem porque ajudou a contextualizar situações que faziam parte da realidade dos colaboradores e tornou um treinamento sobre SAP mais próximo da experiência real de uso.

Em outros casos, uma simulação direta, um vídeo curto, um chatbot com IA ou até mesmo um job aid podem gerar resultados melhores.

Não existe uma metodologia universal. Existe a metodologia mais adequada para cada público, contexto e necessidade.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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