Como transformamos um treinamento de CIPA em algo lúdico

Certa vez, fomos procurados por uma empresa parceira de educação corporativa de São Paulo para apoiar um projeto destinado ao seu principal cliente: uma das maiores empresas de telecom do país.

Essa parceira tinha um diferencial muito claro: conseguia transformar praticamente qualquer conteúdo, por mais técnico ou denso que fosse, em infográficos dinâmicos e extremamente bem produzidos. Era uma competência que dominavam como poucos.

Mas, dessa vez, o cliente final queria algo diferente. Em vez de um infográfico, a demanda era desenvolver um jogo online.

O tema também trazia um desafio extra: CIPA. Todos os anos, a empresa passava por auditorias rígidas de segurança do trabalho e buscava uma forma mais envolvente de conscientizar os colaboradores sobre esse assunto obrigatório e, muitas vezes, sensível. O escopo incluía conteúdos altamente técnicos, desde a prevenção de acidentes com materiais cortantes até o risco de contaminação por HIV.

Toda a concepção pedagógica, os roteiros e o projeto gráfico já haviam sido desenvolvidos e aprovados pelo cliente. Como o desenvolvimento de jogos não fazia parte do portfólio do parceiro, entramos em cena para transformar aquele conceito em uma solução de e-learning totalmente funcional.

Nossa equipe desenvolveu um jogo cujo cenário reproduzia as próprias instalações da empresa. Em uma navegação não linear, o participante explorava os ambientes enquanto resolvia desafios práticos relacionados às regras da CIPA.

A grande sacada da gamificação foi a evolução visual: além de cumprir as missões, o jogador encontrava itens espalhados pelo cenário que transformavam a aparência do seu avatar. Primeiro um capacete. Depois, um colete de proteção. Em seguida, outros equipamentos de segurança.

Ao final da jornada, o personagem que havia iniciado o jogo como um funcionário comum estava completamente equipado, simbolizando visualmente a evolução do seu aprendizado ao longo da experiência.

Concluída a navegação, o SCORM registrava o progresso e liberava uma avaliação final com dezenas de questões randômicas sobre os conteúdos apresentados.

O resultado foi uma experiência completamente fora da curva dos treinamentos online tradicionais (que costumam ser lineares, cansativos e pouco envolventes). O cliente ficou extremamente satisfeito, e essa parceria de educação corporativa se estendeu por muitos anos, dando origem a diversos outros projetos criativos.

Esse projeto reforçou uma lição que levo até hoje: o problema raramente está no tema do treinamento. O verdadeiro desafio é criar uma experiência de aprendizagem capaz de despertar o interesse real das pessoas, mesmo quando o assunto é obrigatório e altamente técnico.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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