Há alguns anos, participamos de um projeto para uma grande rede nacional de hambúrgueres que enfrentava um índice de turnover próximo de 70% ao ano.
A princípio, o objetivo parecia óbvio: reduzir esse número.
Mas, antes de pensar em qualquer solução, fizemos o que considero a etapa mais importante de qualquer projeto de Educação Corporativa: entender o problema.
Foi aí que percebemos algo interessante.
A empresa não estava fazendo nada de errado.
Aquele era o comportamento natural do mercado.
Para muitos jovens, trabalhar como atendente era o primeiro emprego. Alguns meses depois, surgia uma oportunidade para ganhar um pouco mais em uma empresa de call center e eles simplesmente seguiam seu caminho.
Não era uma falha de treinamento.
Não era um problema de liderança.
Era um padrão daquele segmento.
Naquele momento, percebemos que talvez estivéssemos tentando resolver a pergunta errada.
Em vez de concentrar todos os esforços em reduzir o turnover, passamos a focar na retenção de talentos.
Essa mudança alterou completamente o projeto.
A universidade corporativa on-line passou a se chamar “Academia de Talentos”.
Em parceria com a área de Marketing do cliente, nasceu uma campanha de endomarketing baseada em histórias reais de gerentes que haviam começado como atendentes.
A mensagem era simples:
“Se eu consegui, você também consegue.”
Do lado do e-learning, também mudamos nossa estratégia.
Em vez de disponibilizar uma coleção de cursos desconectados, desenhamos uma trilha de aprendizagem mostrando, passo a passo, o caminho de crescimento dentro da empresa.
Cada etapa desenvolvia as competências necessárias para o próximo desafio.
A participação era voluntária.
Quem enxergava uma oportunidade de carreira podia construir seu próprio percurso de desenvolvimento.
Nas lojas próprias, criamos espaços de aprendizagem com computadores disponíveis para estudo durante os intervalos. Com o aumento da adesão, o projeto foi expandido para as franquias.
Os resultados apareceram.
Novos talentos foram identificados.
Mais profissionais passaram a enxergar possibilidades de crescimento dentro da empresa.
E, como consequência, o turnover também começou a diminuir.
O projeto me deixou uma lição que levo até hoje.
Muitas empresas acreditam que uma universidade corporativa existe para oferecer cursos.
Eu acredito que ela existe para oferecer perspectivas.
Porque cursos ensinam.
Mas é a possibilidade de crescimento que faz muitas pessoas escolherem permanecer.
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