Há algum tempo, circulou uma notícia sobre a gamer Camilla Garcia, vencedora do reality Looking for a Caster, do SporTV, que buscava uma nova voz para narrar o jogo Rainbow Six Siege.
Ela passou por todas as etapas e, ao chegar à final, venceu o desempate contra um homem. O público a escolheu como a primeira mulher a narrar o game no Brasil e a cobrir a final do campeonato brasileiro na GameXP.
A repercussão, no entanto, revelou um lado preocupante: uma série de comentários negativos questionando sua vitória pelo simples fato de ser mulher. Isso levou à criação da campanha #PorqueÉMulher.
Trago esse exemplo porque ele expõe algo que ainda está presente em muitos contextos profissionais: a dificuldade de aceitar a diversidade quando ela se traduz em conquista e reconhecimento.
Na minha trajetória, sempre trabalhei em ambientes bastante diversos, especialmente no mercado de e-learning e produção de conteúdos educacionais entre Rio e São Paulo.
E o que sempre me chamou atenção não foi a diversidade em si, mas o fato de que, na prática, o que mais pesava era a entrega.
Ao longo da minha experiência, vi equipes com perfis muito distintos trabalhando juntas, com diferentes origens, estilos e trajetórias.
E, independentemente disso, os critérios mais relevantes sempre estiveram ligados ao trabalho:
- qualidade da entrega
- capacidade de execução
- criatividade na solução
- consistência e comprometimento
Em processos de contratação ou avaliação, o que se destacava era o portfólio, a solução proposta e a capacidade de resolver problemas reais.
Não porque outros fatores não existam, mas porque, em ambientes de produção, o resultado tende a ser um filtro bastante objetivo.
Isso não significa que o mercado seja perfeito ou isento de vieses.
Nenhum setor é.
Mas no caso específico do e-learning, especialmente em equipes multidisciplinares, a convivência com diferentes perfis sempre foi parte natural da construção dos projetos.
Talvez por isso esse tema sempre me chame atenção: porque, apesar dos avanços, ainda precisamos reforçar algo básico — o que deveria ser óbvio.
Respeito não é diferencial. É premissa.
E, no fim das contas, diversidade não é sobre aparência, origem ou qualquer outro marcador.
É sobre criar ambientes onde pessoas diferentes possam contribuir, ser avaliadas pelo que entregam e crescer com base no mérito do trabalho.
E viva a diversidade!
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