Algumas metodologias são atemporais. Mesmo com o passar do tempo, elas retornam constantemente à pauta pela sua relevância prática. Esse é o caso do Microlearning (ou Rapidlearning).
Lembro da palestra de uma produtora de e-learning em uma edição do RioInfo na qual, durante a sua apresentação, compartilhava suas metodologias e, em uma delas, trouxe uma situação que pode servir como boa analogia para o nosso tema. O caso era de um curso on-line criado para treinar funcionários de uma cafeteria em uma tarefa simples: limpar a biqueira da máquina de café expresso. No exemplo, mostravam a ementa do curso, que detalhava todo o processo de preparo do expresso, moagem, compactação (tamping), pré-infusão e extração, o que acabava desviando totalmente do objetivo central. Foi a partir desse exemplo que a empresa introduziu os conceitos de Microlearning, reforçando a importância de ir direto ao ponto.
Essa situação exemplifica algo que acontece com frequência. É comum vermos projetos desenvolvidos no “piloto automático”, com conteúdos longos, excessivos e, muitas vezes, sem foco no que realmente precisa ser ensinado. As causas podem ser diversas: desde um briefing superficial levantado pela área comercial, falta de experiência da equipe de produção ou, ainda, desinteresse do ponto focal no cliente, que se satisfaz em “entregar mais um curso” apenas para cumprir metas.
Obviamente, há temas mais estratégicos que pedem outro tipo de abordagem mais complexa, que demandam mais tempo, roteiros mais detalhados, programação mais elaborada e, consequentemente, maior investimento. No entanto, há muitas situações em que o caminho mais assertivo é ser rápido e eficiente.
No dia a dia das empresas, existem cenários que não permitem rodeios. Lançamentos estratégicos, campanhas sazonais e demandas urgentes do público-alvo exigem treinamentos enxutos, claros e objetivos.
Imagine uma empresa de telecomunicações que vai lançar no mercado uma promoção especial de Natal. É necessário treinar, em pouco tempo, milhares de vendedores das lojas físicas. O foco do curso deve estar exclusivamente nas regras do desconto e nas orientações práticas de atendimento. Não há espaço para capítulos introdutórios sobre a importância do Natal; o que importa é transmitir, de forma ágil, as informações essenciais para que a campanha aconteça com sucesso.
Voltando ao exemplo inicial: se a missão é ensinar a equipe a limpar a biqueira da cafeteira, não há necessidade de um capítulo introdutório sobre a descoberta do café, contando que uma das hipóteses sobre sua origem remonta ao século IX, quando um pastor percebeu que suas cabras ficavam mais ativas após comer frutos vermelhos de um arbusto e, curioso, experimentou-os, sentindo-se mais desperto. O que chamou a atenção de monges da região, que passaram a preparar infusões com os grãos para se manterem acordados durante longas orações.
E é exatamente essa a essência do Microlearning: foco absoluto no que realmente importa, eliminando excessos e garantindo que a mensagem seja absorvida de forma simples, rápida e eficaz.
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