Há algum tempo, fui convidado a participar de uma Mesa redonda sobre ‘Mudanças no Mercado de Trabalho’ no congresso WOB – Wide Open Business Conference e, em determinado momento, surgiu a pergunta:
“Você acha importante que o profissional da sua equipe seja formado?”
Hoje em dia, a resposta mais comum, especialmente em um campo em que a criatividade é valorizada, seria não.
Na minha profissão de origem, o design gráfico, o que sempre mais pesou em um processo seletivo foi o portfólio. Mas será que é só isso?
Por um lado, é claro que é relevante onde a pessoa estudou, quais cursos fez e por quais empresas passou. No fim, porém, o que realmente conta são os projetos que ela executou (aquilo que criou de fato). Isso vale para designers, animadores, programadores ou profissionais da área pedagógica.
Por outro lado, há fundamentos que só se aprendem no meio acadêmico — aquela base que, com o tempo, se torna muito evidente no dia a dia dos projetos.
Não estou aqui para impor uma regra. Existem autodidatas excelentes, que nunca fizeram sequer um curso livre. Mas, na dúvida, a base técnica e conceitual precisa ser considerada.
Cito dois exemplos reais.
No primeiro, um designer apresentou uma proposta visual extremamente criativa para o layout de um curso on-line. Todos ficaram encantados e o cliente aprovou de imediato. Porém, ao produzir o material final, surgiram margens desalinhadas, respiros e espaçamentos fora do padrão, títulos fora de posição e problemas de consistência visual. A falta de cuidado e consistência (princípios básicos estudados em faculdades de design) acabou ofuscando o brilho da ideia original.
No segundo caso, avaliamos um candidato a designer instrucional que possuía excelente formação acadêmica e teve uma ótima entrevista. Contudo, ao receber um teste prático para desenvolver um trecho de um storyboard em casa, demorou o dobro do tempo dos demais candidatos e ainda entregou o trabalho incompleto. Era um perfil oposto ao anterior: muito estudo, mas pouca vivência prática.
Conclusão: não existe um perfil ideal. Já conheci profissionais altamente qualificados, com múltiplos certificados, e autodidatas igualmente completos.
O ponto central é que, ao contratar, é preciso olhar além do currículo e do portfólio.
Peça para o candidato explicar o porquê de suas escolhas criativas, realize testes práticos e avalie sua lógica de pensamento. Solicite um pequeno PIV (Projeto de Identidade Visual) para um designer, um trecho de roteiro ou proposta pedagógica para um designer instrucional, um desafio de código para um programador… Tudo isso ajuda a entender como ele realmente trabalha.
E, claro, complemente essa análise com as percepções subjetivas do RH.
Mercado de trabalho em e-learning – diplomado ou autodidata?
Alexandre Collart
Atuou em projetos para clientes como White Martins, SulAmerica, Autotrac, TV Globo, Petrobras BR, Bob’s, Mongeral Aegon, Módulo Security, Universidade Candido Mendes, Telelistas, Brasil Brokers, Prudential, Wilson’s Sons, Souza Cruz, Honda Motos, Icatu Seguros, Furnas, TIM, Laboratórios Abbott, Sebrae/RJ, Fiocruz, Claro, entre outras. Aprendendo a cada projeto entregue, a cada metodologia utilizada e a cada acompanhamento com os clientes, resultando nos textos para este Blog.
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