A frase “mas sempre foi assim” é comum quando há resistência à mudança, mesmo diante de falhas evidentes. E, quando isso afeta processos da empresa, especialmente em projetos de e-learning, o impacto é direto.
Em um projeto, estávamos capturando telas de um sistema interno para um curso on-line com simulações das principais funções. Durante as gravações, o responsável comentou: “a partir daqui, surge esse erro e precisamos ligar para o suporte”. Ao ser questionado, apenas respondeu: “sempre funcionou assim”.
Como o curso deveria apresentar o processo completo, não fazia sentido ensinar: “neste ponto, acione o suporte”. O projeto precisou ser pausado até a falha ser corrigida. Houve atraso, mas o resultado final foi bem-sucedido.
Em outro cliente, desenvolvíamos um curso sobre o processo logístico de entrega de produtos. No armazém, percebemos caixas acumuladas num canto. Descobrimos que pedidos com uma pendência específica (a falta de um anexo obrigatório) não eram liberados, mesmo com o produto já tendo saído do estoque. Ficavam esquecidos ali, provavelmente gerando prejuízos. Ao alertarmos ao responsável pelo treinamento, a resposta foi: “sempre foi assim e não é conosco mudar isso”. Diante da resistência daquele cliente à mudança naquele erro no processo, o curso foi lançado, mas sem abordar essa falha.
Embora RH e Treinamento não sejam responsáveis diretos por revisar processos, treinamentos baseados em processos falhos também se tornam ineficazes. O impacto vai além da aprendizagem, pode afetar resultados operacionais e até financeiros.
O ideal do nosso lado é enxergar essas situações não como problemas, mas como oportunidades. Identificar falhas e conduzi-las, com bastante tato (importante!), às áreas certas pode abrir espaço para melhorias reais e garantir projetos mais efetivos.

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