E-learning × tecnologias: mais de 30 anos de transformações

Minha trajetória na Educação Corporativa começou em 1992, quando tecnologia e aprendizagem digital ainda davam seus primeiros passos. De lá para cá, vi ferramentas surgirem, revolucionarem o mercado e desaparecerem. E, em cada mudança, uma preocupação se repetia: o que será dos profissionais diante da nova tecnologia?

Na empresa de TI em que fiz estágio, desenvolvíamos e comercializávamos o Hypersoft, um sistema baseado em hipertexto que permitia combinar textos, imagens e tabelas em publicações eletrônicas, rodando em DOS.

Com a expansão do Windows, tivemos de nos adaptar. Os programadores desenvolveram o Hypersoft 9000, uma nova versão para o ambiente Windows. Pouco depois, veio a internet, e o sistema precisaria ser novamente adaptado para funcionar on-line. O projeto acabou descontinuado.

Anos depois, outra transformação impactou profundamente o e-learning: o Flash, da Macromedia. Com ele, animações e interações ampliaram as possibilidades dos cursos on-line. Mas a tecnologia perdeu espaço com a evolução dos padrões abertos, dos dispositivos móveis e dos navegadores. Após a aquisição da Macromedia pela Adobe, em 2005, o Flash ainda reinou por anos, até ter seu suporte oficial encerrado em 2020.

O resultado foi uma enorme mobilização no mercado para converter ou reconstruir acervos de cursos. Ferramentas de autoria também evoluíram, com soluções como o Articulate Storyline e o Rise, que ampliaram as possibilidades de interação e trouxeram uma experiência mais adaptada aos dispositivos móveis.

Agora, vivemos outra transformação: a inteligência artificial. Ela já permite acelerar etapas que vão da elaboração de roteiros à produção de imagens, animações, vídeos e cursos inteiros.

O que essas mudanças têm em comum?

Em todas elas, profissionais temeram perder seus empregos. Alguns perderam espaço, mas não necessariamente porque foram substituídos pela tecnologia. Em muitos casos, o desafio foi não acompanhar a evolução das ferramentas e dos processos de trabalho.

Isso não significa que a tecnologia nunca elimine funções ou postos de trabalho. Significa que seu impacto vai além da substituição: ela também muda quais competências são valorizadas.

Pensemos no designer instrucional. Se antes boa parte do esforço estava concentrada na elaboração de roteiros e na produção de conteúdos, a IA pode automatizar ou acelerar parte dessas tarefas. Isso torna ainda mais importante o trabalho de quem sabe analisar o contexto, interpretar o briefing, identificar lacunas, eliminar excessos e garantir que cada conteúdo contribua para os objetivos de aprendizagem.

O diferencial deixa de estar apenas na capacidade de produzir e passa, cada vez mais, pela capacidade de avaliar o que deve ser produzido, por quê e para quem.

É claro que isso exige atualização. Não basta conhecer a IA: é preciso incorporá-la ao fluxo de trabalho, entendendo suas possibilidades e limitações.

Em mais de 30 anos, vi tecnologias mudarem, ferramentas desaparecerem e processos serem reconstruídos. A lição que tiro dessa trajetória é que não podemos nos apegar à maneira como sempre fizemos as coisas.

A IA não vai necessariamente roubar seu emprego. Mas pode mudar tanto o trabalho que você faz hoje que deixar de aprender a utilizá-la se torne um risco profissional.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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