A tecnologia não salva um projeto de e-learning ruim.

Mais de 20 anos depois de começar a liderar projetos de e-learning, é interessante olhar para a dimensão que a aprendizagem digital ganhou no mercado.

Dados levantados pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), em parceria com a Integração Escola de Negócios e a Carvalho & Mello, mostram que as empresas brasileiras investiram, em média, R$ 1.222 por colaborador em T&D em 2024.

E outro dado chama atenção: segundo a 19ª edição do Panorama do Treinamento no Brasil, 53% das ações de treinamento foram a distância, contra 47% presenciais. Ou seja, a aprendizagem digital deixou de ser uma alternativa complementar. Ela já faz parte da realidade de grande parte das organizações.

Mas quanto mais tecnologia entra na aprendizagem, mais importante fica saber o que fazer com ela. Ao longo dessa trajetória, uma coisa ficou cada vez mais clara para mim:

· Tecnologia sem aprendizagem vira ferramenta.
· Aprendizagem sem contexto pode virar fórmula.
· Criatividade sem estratégia pode virar apenas estética.
· Inovação sem tudo isso vira apenas novidade.

É fácil se encantar com uma nova plataforma, uma ferramenta de IA, uma experiência imersiva ou uma interação sofisticada. Mas a tecnologia, por si só, não garante aprendizagem. Uma revisão sistemática publicada em 2024 na revista Texto Livre chegou a uma conclusão importante: cursos on-line ampliam as possibilidades de qualificação e requalificação, mas motivação, autonomia, necessidades do aprendiz e alinhamento com os objetivos da organização continuam sendo determinantes.

Na minha experiência, os melhores projetos não são os que usam mais tecnologia. São os que conseguem combinar aprendizagem, criatividade, tecnologia e inovação de forma coerente com o problema que precisam resolver. Um bom projeto de e-learning não começa pela ferramenta que será utilizada. Começa pelo problema que precisa ser resolvido.

Porque, no fim, uma plataforma mais moderna não corrige uma estratégia ruim. Uma experiência mais sofisticada não corrige um conteúdo irrelevante. E uma IA mais poderosa não corrige um problema de aprendizagem mal definido. Tecnologia pode potencializar um bom projeto, mas não transforma um projeto ruim em um bom projeto.

É aí que está a diferença entre simplesmente digitalizar um treinamento e realmente inovar na aprendizagem: a verdadeira inovação não está na sofisticação da ferramenta que escolhemos usar, mas no impacto real que conseguimos gerar na prática por causa dela.

Fontes: Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2024/2025 (ABTD, Integração Escola de Negócios e Carvalho & Mello); Mendonça, A. P. B.; Alves, L. R. G. “Cursos Online Abertos e Massivos (MOOC) em contextos corporativos: uma revisão da literatura”. Texto Livre, 2024. DOI: 10.1590/1983-3652.2024.51188.

foto do autor

Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

SAIBA MAIS

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

whatsapp