Uma fábrica de e-learning não pode funcionar em loop

Recentemente, fui contratado por uma grande empresa de educação corporativa para ajudar na gestão de uma fábrica de cursos on-line para grandes clientes.

A empresa tinha experiência em formação presencial, mas enfrentava dificuldades para administrar uma produção 100% digital.

Um dos problemas era evidente: havia trilhas com mais de 20 versões que ainda não estavam prontas.

O budget diminuía, os cronogramas apertavam e os clientes ficavam insatisfeitos.

O principal problema não estava na capacidade da equipe, mas na falta de clareza sobre os marcos de revisão e as regras para encerrar cada etapa.

Para quem trabalha há anos com produção digital, algumas dessas regras parecem óbvias. Mas não são para uma empresa migrando do presencial para o digital.

O fluxo que estruturamos tinha cinco momentos:

1. Proposta pedagógica – Antes de produzir, é preciso definir objetivo, público, linguagem, limitações, particularidades e as mídias a serem produzidas.

2. Storyboard e identidade visual – Com a proposta definida, storyboard e PIV podem avançar em paralelo.

Considero importante apresentar o storyboard ao cliente em uma reunião. Não para validar tela por tela, mas para explicar a lógica das escolhas.

E existe um ponto fundamental: quem é o ponto focal do cliente? Sem essa definição, qualquer pessoa pode entrar no processo e reabrir uma validação encerrada.

Também faz sentido testar um protótipo funcional em SCORM no LMS do cliente antes de produzir tudo. Cada plataforma tem suas particularidades.

3. Versão Alfa – Com as etapas anteriores aprovadas, a mídia é produzida e enviada ao cliente, que aponta os ajustes.

4. Versão Beta – Aqui estava um dos maiores problemas. Se na Alfa o cliente apontou ajustes nas telas 4, 12, 18, 22 e 31, a Beta deveria confirmar se esses pontos foram corrigidos. Não revisar novamente toda a mídia.

É natural que, ao abrir um material novamente, alguém encontre algo que poderia ser melhorado. O problema é transformar cada melhoria em uma nova rodada. Foi assim que algumas trilhas chegaram a mais de 20 versões.

5. Versão final – Aprovados os ajustes da Beta, chega a versão final em SCORM.

Parece simples. E é. Mas simplicidade exige disciplina.

O grande aprendizado foi que cada etapa precisa ter objetivo claro, um responsável pela validação e um momento em que termina.

Não chegamos a uma operação sem erros. Chegamos a uma cultura em que o erro precisava ser identificado cedo, corrigido na etapa adequada e não carregado para a próxima.

Porque, em uma fábrica de e-learning, uma alteração pode parecer pequena para quem pede. Mas dezenas delas podem virar retrabalho, custo, atraso e desgaste da equipe.

No fim, definir quando uma etapa termina é tão importante quanto definir como ela começa. É isso que evita que uma fábrica de e-learning entre em um ciclo de revisão e retrabalho.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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