Esta semana encontrei um grande amigo que conheci em 2007, o Marcio Weguelin, época em que éramos gerentes de projetos na mesma empresa de educação corporativa. Desde então, acompanhamos praticamente todas as transformações desse mercado.
Como acontece em quase toda conversa sobre o futuro do trabalho, chegamos à Inteligência Artificial.
Lembramos da época em que um projeto de e-learning envolvia designers instrucionais, designers gráficos, ilustradores, animadores, locutores, revisores e desenvolvedores.
Hoje, uma parte significativa desse trabalho pode ser feita com IA. Isso reduziu custos, acelerou entregas e aumentou a capacidade de produção.
Mas também trouxe um efeito colateral.
Tenho visto muitos projetos em que a IA foi usada apenas para reduzir custos. O resultado são cursos produzidos mais rápido, porém sem o mesmo cuidado com a experiência do aluno, a estratégia pedagógica e a aplicação prática do aprendizado.
Na minha visão, o e-learning não está acabando.
O que está chegando ao fim é o modelo em que produzir conteúdo era o grande diferencial.
Quando qualquer pessoa consegue criar um curso em poucas horas com IA, produzir conteúdo vira commodity. O verdadeiro valor passa a estar em desenhar experiências que realmente façam as pessoas aprender.
A IA é uma ferramenta extraordinária e faz parte do meu dia a dia. Mas ela ainda não substitui pensamento crítico, criatividade, repertório, visão de negócio e um bom design instrucional.
Essa percepção também encontra respaldo em pesquisas recentes, que defendem modelos de colaboração entre especialistas e IA, preservando as decisões pedagógicas nas mãos dos profissionais.
Acredito que sempre haverá espaço para empresas e profissionais que entreguem mais do que cursos gerados por inteligência artificial. O mercado continuará valorizando soluções que gerem mudança de comportamento e resultados para o negócio.
Continuamos otimistas.
A IA tornou barato produzir cursos. Mas continua valendo mais quem consegue produzir aprendizagem.
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