Moça estudando no parque

Novas Mídias X Ensino Tradicional

Conheci o professor Ricardo Basílio em um projeto no qual trabalhamos juntos no desenvolvimento de trilhas on-line para a área da saúde. Na época, ele atuava como consultor em novas mídias e, durante uma das nossas conversas, compartilhou uma experiência muito interessante realizada com alunos da UFRJ.

Ele havia participado como professor auxiliar de uma disciplina de “Ecologia de Insetos”, ministrada pela professora Margarete de Macedo. Em determinado momento, perceberam que os alunos apresentavam mais dificuldade em três temas específicos da matéria: morfologia, desenvolvimento e classificação das famílias de insetos.

Foi então que decidiram mudar a abordagem tradicional.

Em vez de apenas reforçar conteúdos teóricos, os professores disponibilizaram um material básico de apoio e propuseram que cada aluno escolhesse um inseto presente no seu cotidiano — algo comum no lugar onde vivia, como borboletas, mosquitos, formigas etc.

A partir daí, cada etapa da disciplina passou a ser desenvolvida por meio da criação de conteúdos pelos próprios alunos.

Na parte de morfologia, por exemplo, os estudantes precisavam criar um jogo relacionado ao inseto escolhido. Os professores apresentavam possibilidades, sugeriam ferramentas e orientavam o processo, mas deixavam espaço para criatividade e autonomia.

Na etapa seguinte, sobre desenvolvimento do inseto — do ovo até a fase adulta — a entrega passou a ser um e-book digital. Os alunos aprenderam a utilizar ferramentas gratuitas disponíveis na internet e criaram materiais extremamente criativos, cada um com sua própria identidade visual e narrativa.

Já na etapa de classificação, os estudantes podiam escolher entre produzir um vídeo ou um podcast explicando o tema, novamente utilizando ferramentas acessíveis e apoio dos professores.

O mais interessante é que os trabalhos não ficaram restritos à sala de aula. Os materiais seriam posteriormente compartilhados com escolas públicas do Rio de Janeiro, o que aumentou ainda mais o engajamento dos alunos. Eles passaram a pesquisar mais profundamente, estudar além do conteúdo mínimo da disciplina e enriquecer espontaneamente os próprios materiais.

E talvez esteja aí a parte mais rica dessa experiência.

Os alunos não aprenderam apenas sobre ecologia de insetos. Eles também desenvolveram habilidades relacionadas à pesquisa, criatividade, comunicação, produção digital e uso de tecnologia.

Nesse modelo, o professor deixa de ser apenas um transmissor de conteúdo e passa a atuar muito mais como mediador, orientador e facilitador da aprendizagem.

Hoje, metodologias mais ativas, aprendizagem baseada em projetos e produção colaborativa de conteúdo já fazem parte da realidade de instituições mais inovadoras. Ainda não são maioria, mas também não deveriam ser exceção.

Porque, no fim, quando o aluno deixa de ser apenas consumidor de conteúdo e passa a criar, experimentar e construir conhecimento, o aprendizado ganha outra dimensão.

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Alexandre Collart

Alexandre Collart atua há mais de 30 anos no mercado de educação corporativa, e-learning e comunicação digital, sendo reconhecido por sua experiência na criação, gestão e implementação de projetos de aprendizagem para empresas de diferentes segmentos e portes, com foco em desenvolvimento de pessoas, disseminação do conhecimento e soluções educacionais alinhadas às necessidades do negócio.

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