Há um tempo, participei de um projeto de consultoria para uma empresa que atendia, há mais de 10 anos, uma grande telecom nacional em um contrato de fábrica de cursos on-line. O objetivo inicial era justamente trazer melhorias para os projetos: mais interatividade, melhor experiência do aluno, novas abordagens e formatos mais inovadores.
O começo foi excelente. Existia abertura, troca de ideias e vontade de evoluir os projetos. Mas, com o tempo, percebi um padrão muito comum em projetos corporativos: a operação começava a ser engolida pela urgência.
O briefing era alinhado, o cronograma definido, as ideias discutidas… mas, quando o projeto começava a ganhar forma, a pressão por acelerar as entregas aumentava. E aí alguns processos acabavam sendo encurtados para ganhar velocidade.
Em muitos casos, por exemplo, etapas intermediárias de validação eram reduzidas para tentar agilizar o fluxo. Só que, mais à frente, isso normalmente gerava retrabalhos, ajustes maiores e um desgaste que consumia justamente o tempo que se tentava economizar no início.
E isso não acontecia por desorganização ou falta de competência. Muito pelo contrário. Eram excelentes profissionais, de ambos os lados. Apenas era uma dinâmica operacional construída ao longo dos anos e que funcionava naquele ritmo.
O aprendizado que ficou para mim foi outro: inovação exige espaço para maturar.
Criatividade, experiência do usuário, novas soluções, testes e refinamentos dificilmente acontecem em ambientes sustentados apenas por urgência contínua. Até podem coexistir… mas normalmente com mais desgaste, retrabalho e perda de profundidade.
No fim, muitas vezes a diferença entre um projeto “entregue” e um projeto realmente inovador está justamente no tempo que se consegue dedicar à construção dele.
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