Há alguns anos, quando eu era gerente de projetos em uma produtora de e-learning no Rio de Janeiro, fui chamado para uma reunião comercial com uma secretaria do Governo do Estado. A orientação era simples: apresentar o portfólio, ouvir a necessidade e coletar o briefing para futura proposta.
Tudo seguia como esperado até que o Secretário me interrompeu:
“Já conheço sua empresa e seu portfólio. Se não conhecesse, você não estaria aqui. Vou direto ao ponto para não perder tempo: preciso de uma solução muito específica.”
O desafio era claro: com o boom da exploração de petróleo na Região dos Lagos, engenheiros estrangeiros e suas famílias chegaram às cidades locais sem falar português. Isso gerava dificuldades cotidianas para os prestadores de serviços. A Secretaria precisava de um curso online de inglês rápido, lúdico e acessível, para capacitar profissionais locais — de cabeleireiros a garçons — a atender minimamente em inglês.
O projeto previa polos com computadores e internet, oferecendo o curso gratuitamente à população. Porém, como a empresa não tinha essa metodologia pronta, a proposta não avançou. Pouco depois, mudanças políticas e econômicas engavetaram a iniciativa.
Mas a lição foi valiosa: um curso só é eficaz se fala a linguagem do público-alvo. Não adianta criar um conteúdo visualmente atraente ou tecnicamente sofisticado se não atende à realidade de quem vai utilizá-lo. É preciso analisar:
- O público precisa de algo mais lúdico ou mais técnico?
- Estamos falando de profissionais operacionais ou da alta gestão?
- A solução tecnológica está alinhada à infraestrutura disponível?
- O público compreende termos técnicos e outras línguas ou necessitam de uma comunicação simples e direta?
Cada público exige uma abordagem própria. O verdadeiro diferencial não está apenas no design ou na tecnologia, mas em adaptar a mensagem para falar diretamente com quem vai aprender.
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