Certa vez, assisti a um vídeo no LinkedIn que mostrava o primeiro dia de um novo colaborador.
Ele era recebido com tapete vermelho, aplausos, confetes e serpentinas. Os colegas formavam um corredor de boas-vindas, com cumprimentos, abraços e até dois beijinhos no recém-chegado, visivelmente constrangido. Ao final, recebia um kit com brindes, cartilhas e folhetos.
Confesso que achei o vídeo um pouco caricato e exagerado. Será que é preciso tudo isso?
Por outro lado, ainda vemos o extremo oposto: empresas que recebem um novo funcionário de forma completamente impessoal. Ele chega, é apresentado rapidamente ao gestor e a alguns colegas, e pronto — “se vira aí”.
Depois disso, precisa descobrir sozinho como funciona a empresa, onde estão as informações e como as coisas realmente acontecem. Com sorte, encontra alguém disposto a ajudar no início.
Entre esses dois extremos, fica a reflexão: como é o primeiro dia de um novo funcionário na sua empresa?
Hoje, mais do que um evento isolado, o onboarding é entendido como parte de uma jornada mais ampla de experiência do colaborador.
Não se trata apenas de “apresentar a empresa”, mas de acelerar a integração, o pertencimento e a capacidade de entrega do novo profissional.
Nesse contexto, o e-learning e as plataformas digitais passaram a ter um papel central.
Uma prática que continua muito relevante é o uso de trilhas digitais de onboarding — estruturadas em LMS ou plataformas de aprendizagem.
No primeiro dia, além da recepção presencial, o colaborador recebe seus acessos e inicia uma jornada estruturada, combinando conteúdo, cultura e prática.
Um bom onboarding pode incluir, por exemplo:
- mensagem de boas-vindas da liderança
- história e evolução da empresa
- cultura, missão, visão e valores
- estrutura organizacional
- políticas e benefícios
- código de ética e conduta
- segurança da informação
- ferramentas e processos essenciais
- canais de comunicação internos
- trilhas iniciais de capacitação por função
Quando bem estruturado, esse processo garante algo essencial: consistência e escala na experiência inicial, independentemente do número de colaboradores ou da localidade.
Mais do que isso, reduz o tempo de adaptação e aumenta a clareza sobre “como as coisas funcionam aqui”.
Além do conteúdo formal, ainda há espaço para criatividade — e isso continua sendo um diferencial importante.
Lembro de dois exemplos interessantes:
A Prudential criou uma placa para o monitor com a mensagem:
“Desculpe, estou em treinamento.”
Isso permitia que o colaborador estudasse sem interrupções.
Já os Laboratórios Abbott enviavam um convite em formato de passagem aérea, com a mensagem:
“Você é nosso convidado especial para uma viagem virtual. Boa jornada.”
Hoje, porém, essas iniciativas ganham ainda mais força quando integradas a uma visão maior: onboarding como experiência contínua, digital, humana e orientada a desempenho.
No fim, boas recepções continuam sendo fundamentais.
Mas empresas que se destacam não são apenas as que recebem bem, são aquelas que conseguem transformar o início da jornada em um processo estruturado de integração, aprendizado e aceleração real do colaborador.

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