Certa vez, assisti a um vídeo no LinkedIn que mostrava o primeiro dia de um novo colaborador. Ele era recebido com tapete vermelho, aplausos, confetes e serpentinas. Os colegas formavam um corredor de boas-vindas, cumprimentando, abraçando e até dando dois beijinhos no recém-chegado, visivelmente constrangido. Ao final, ele recebia um kit de boas-vindas com brindes, cartilhas e folhetos.
Confesso que achei o vídeo caricato e exagerado. Será que é preciso tudo isso?
Por outro lado, ainda vemos o extremo oposto: empresas que recebem um novo funcionário da forma mais impessoal possível. Ele chega, é apresentado rapidamente ao gestor e a dois ou três colegas, e pronto — “se vira aí!” Depois, precisa descobrir sozinho como funciona o trabalho, onde estão os arquivos etc. Com sorte, algum colega da mesma área ajuda nesse início.
Entre esses dois extremos, vale a reflexão: como é o primeiro dia de um novo funcionário na sua empresa?
Não é necessário detalhar todas as rotinas do RH, mas uma boa prática que nunca perde espaço é o curso on-line de ambientação — ou onboarding, como é conhecido hoje.
Essa iniciativa é comum em programas de e-learning corporativo. No primeiro dia, além de conhecer a equipe, o gestor e o espaço de trabalho, o novo colaborador recebe o login e a senha da plataforma de aprendizagem (LMS) e inicia seu processo de integração, de forma estruturada e interativa.
Um bom curso de onboarding pode incluir:
• Mensagem de boas-vindas do presidente;
• Linha do tempo com a história da empresa;
• Organograma e estrutura hierárquica;
• Missão, visão e valores;
• Política de diversidade e inclusão;
• Informações sobre férias, 13º e benefícios;
• Políticas de remuneração e plano de carreira;
• Código de ética e conduta;
• Mapa de processos essenciais;
• Canais e ferramentas de comunicação;
• Boas práticas de segurança da informação;
• Entre outros temas.
Com esse formato, todos recebem as mesmas informações, de forma padronizada, acessível e escalável — seja para 10 ou 10 mil pessoas — e com baixo custo de atualização (basta atualizar o conteúdo e disponibilizar novamente).
Além do conteúdo formal, há espaço para criatividade.
Lembro de dois exemplos interessantes de empresas com as quais trabalhei:
A Prudential criou uma plaquinha para ser colocada no monitor, com os dizeres: “Me desculpe, estou em treinamento.” Assim, o colaborador podia fazer seus cursos a qualquer hora do dia, sem interrupções.
Já os Laboratórios Abbott distribuíram um convite em formato de passagem aérea, com todos os acessos e com a mensagem: “Você é nosso convidado especial para uma viagem virtual. Está preparado? Acesse o site e boa viagem!”
Pequenos gestos como esses tornam o processo mais leve, acolhedor e humano.
Recepções calorosas são sempre bem-vindas — desde que o novo colaborador receba, de forma clara, objetiva e completa, todas as informações necessárias para começar bem sua jornada.

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