Há alguns anos, durante um congresso de T&D, em um café, um executivo me perguntou: “Alexandre, qual é o seu paradigma de gestão?”
Antes mesmo que eu respondesse, ele começou a listar metodologias, frameworks e certificações. Scrum, Design Thinking… Parecia que bastava escolher uma delas para encontrar todas as respostas.
Aquilo me lembrou de outra situação semelhante, quando eu era gerente de projetos em uma produtora de e-learning, uma designer instrucional, no início da carreira, me disse: “Sabia que eu posso ser você?”
Perguntei o motivo e ela respondeu que havia feito diversos cursos e já se sentia preparada para atuar como gerente de projetos.
Naquele momento percebi algo que vejo acontecer até hoje: é muito fácil confundir conhecimento com experiência.
Antes que alguém entenda errado: estudar é essencial. Sempre foi e sempre será. Eu continuo estudando até hoje. Aliás, no nosso mercado, quem para de aprender fica para trás muito rapidamente.
Mas existe um tipo de aprendizado que nenhum curso, sozinho, sustenta: repertório.
Outro dia pensei nisso observando a Adriana, que cuida da administração do condomínio onde moro. Ela coordena equipes, negocia conflitos, resolve problemas com fornecedores, orienta moradores, organiza documentos e conhece cada detalhe da operação.
Ela domina a operação porque vive aquilo todos os dias. Conhece as pessoas, os processos e os imprevistos, e toma decisões com base nesse contexto real.
Ao longo do tempo, ela foi construindo algo que vai além do conhecimento técnico: repertório aplicado à realidade.
No e-learning acontece exatamente a mesma coisa.
Em décadas na área, aprendi muito em cursos, livros e certificações. Mas alguns dos maiores aprendizados vieram dos projetos mais desafiadores. Aqueles em que tudo parecia conspirar contra: mudanças de escopo, prazos apertados, expectativas desalinhadas… São essas experiências que realmente moldam um gestor.
Também tive a sorte de trabalhar em empresas que valorizavam a troca de conhecimento. Compartilhávamos projetos, discutíamos soluções e registrávamos as famosas “lições aprendidas”, evitando repetir os mesmos erros.
É justamente aí que a experiência ganha valor.
Metodologias organizam o trabalho.
Ferramentas aceleram processos.
A inteligência artificial produz respostas em segundos.
Mas nenhuma delas acumula repertório por você.
Conhecimento mostra os caminhos. A experiência ensina qual seguir.
Então, estude. Faça cursos. Busque certificações. Aprenda novas metodologias. Use inteligência artificial. Converse com profissionais mais experientes.
Tudo isso faz diferença.
Mas não tenha pressa de substituir o tempo.
Porque existe um conhecimento que nenhum certificado consegue representar. Ele nasce quando a teoria encontra a realidade. E só se constrói no tempo que a experiência exige.
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