E-learning: premiar engaja ou compromete?

Volta e meia, a possibilidade de oferecer algum tipo de premiação para colaboradores que participam de programas de capacitação on-line é questionada por algum cliente.

Quando isso acontece, costumo contar duas experiências que presenciei: uma com resultado catastrófico e outra completamente diferente, com um desfecho extremamente positivo. Depois dessas histórias, o cliente avalia melhor a ideia… e seguimos com ela (ou não).

A primeira aconteceu em uma grande instituição pública estadual, que não posso citar por motivos óbvios. A proposta foi, no mínimo, infeliz: oferecer bônus em dinheiro para cada colaborador aprovado nos cursos on-line. A cada curso concluído com média para aprovação, o colaborador recebia uma bonificação no salário.

Num primeiro momento, a ideia foi muito bem recebida. A adesão ao programa foi altíssima, e quase 100% dos colaboradores passaram a realizar os cursos. Porém, após o primeiro semestre, descobriu-se uma grande fraude nas avaliações.

Alguns colaboradores que dominavam o conteúdo passaram a oferecer seus serviços para realizar provas em troca de uma parte do prêmio. Quem não tinha conhecimento sequer acessava a plataforma: fornecia login e senha, e a outra pessoa fazia tudo por ele: acessava, navegava pelo curso, realizava a prova e garantia a aprovação. Depois, quando o bônus era pago, o valor era dividido entre eles.

O resultado foi um desgaste enorme para a instituição e o projeto, por pouco, não foi cancelado.

Já a segunda experiência foi completamente diferente e muito mais positiva.

Um cliente decidiu premiar cada colaborador aprovado com um PIN relacionado ao tema do curso. A iniciativa era voltada para a área de vendas e os treinamentos abordavam os produtos da empresa. Todo mês, um novo curso era disponibilizado com informações técnicas, vantagens, argumentos de venda e curiosidades.

A cada aprovação, o colaborador recebia um PIN.

A iniciativa gerou uma competição saudável entre os vendedores. Com o tempo, era comum ver profissionais chegando às lojas com vários PINs no uniforme, enquanto outros tinham poucos (ou nenhum). Isso criou um incentivo natural ao aprendizado.

Após o primeiro semestre, a área comercial analisou os indicadores e identificou algo interessante: vendedores com mais PINs apresentavam resultados significativamente superiores em vendas.

Nesse caso, a premiação era simbólica, mas o retorno era real, já que o desempenho impactava diretamente nas comissões.

No fim das contas, existem diversas formas de reconhecer e premiar quem se dedica aos treinamentos on-line. Mas o mais importante é avaliar o resultado final.

A quantidade de aprovados é apenas um número em relatório para apresentar à diretoria, bater a meta de treinamento e ver todo mundo satisfeito? Mas e depois?

O ponto principal é justamente esse: o que vem depois?

O seu programa de treinamento aumentou as vendas? Melhorou a produtividade? Ajudou a reter talentos? Reduziu acidentes no chão de fábrica?

É esse tipo de resultado que realmente importa, e é com base nele que qualquer estratégia de premiação deve ser pensada.

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Alexandre Collart

Atuou em projetos para clientes como White Martins, SulAmerica, Autotrac, TV Globo, Petrobras BR, Bob’s, Mongeral Aegon, Módulo Security, Universidade Candido Mendes, Telelistas, Brasil Brokers, Prudential, Wilson’s Sons, Souza Cruz, Honda Motos, Icatu Seguros, Furnas, TIM, Laboratórios Abbott, Sebrae/RJ, Fiocruz, Claro, entre outras. Aprendendo a cada projeto entregue, a cada metodologia utilizada e a cada acompanhamento com os clientes, resultando nos textos para este Blog.

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