Na década de 1990, a Qualidade Total ganhou força no Brasil. As certificações ISO passaram a fazer parte da rotina das grandes empresas e havia uma máxima que praticamente todo profissional conhecia:
1. O cliente tem sempre razão.
2. Se o cliente não tiver razão, volte para a primeira regra.
A frase ajudou a colocar o cliente no centro das decisões, e isso foi um grande avanço.
Hoje, porém, quando falamos de projetos de educação corporativa e e-learning, existe um detalhe importante: o cliente continua sendo o foco, mas também faz parte do processo.
Um projeto de aprendizagem não depende apenas da equipe de produção. Depende também da participação do cliente nas validações.
Por isso, uma das primeiras responsabilidades do gerente de projetos é explicar, ainda no briefing, como funcionará o desenvolvimento e qual será o papel do cliente em cada etapa.
O primeiro desafio costuma ser o cronograma.
Nem sempre o prazo desejado corresponde ao tempo necessário para desenvolver uma solução de qualidade. Em outras situações, porém, a data é inegociável, como no lançamento de um produto, sistema ou exigência regulatória.
É nesse momento que cliente e fornecedor precisam atuar como parceiros.
Outro ponto essencial são as validações intermediárias.
Storyboard, roteiro instrucional, protótipo ou proposta visual não são burocracia. São etapas que evitam retrabalho.
Já participei de projetos em que essas validações foram ignoradas. O resultado foi um curso praticamente pronto que precisou ser refeito porque mudanças estruturais surgiram apenas no final.
Também vivi situações em que um projeto ficou parado por meses aguardando a validação de um especialista. Quando ela aconteceu, o conteúdo já precisava ser atualizado.
É por isso que costumo dizer que o gerente de projetos não administra apenas cronogramas.
Ele administra expectativas.
Seu papel é acompanhar a equipe e o cliente, antecipando riscos e evitando que um atraso seja descoberto apenas na data da entrega.
Hoje, algumas etapas da produção são muito mais rápidas graças às novas ferramentas de Inteligência Artificial.
Mas validar continua sendo uma atividade essencialmente humana.
Quanto mais rápida é a produção, mais importante se torna a participação do cliente.
No fim das contas, projetos de e-learning não são construídos por um fornecedor para um cliente.
São construídos quando cliente e fornecedor trabalham como parceiros.
Quando existe comunicação, comprometimento e responsabilidades bem definidas, as chances de sucesso aumentam significativamente. Porque os melhores projetos não são entregues. São construídos juntos.
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