Essa é uma pergunta que escuto há mais de 20 anos no mercado de e-learning.
Há alguns anos, participei de uma concorrência para implantar uma plataforma de aprendizagem e desenvolver diversos cursos para um grande hospital no Rio de Janeiro.
Nossa proposta foi muito bem recebida. O projeto foi aprovado pelas áreas envolvidas e tudo indicava que seguiríamos para a contratação.
Até que surgiu um concorrente.
A proposta deles era mais cara do que a nossa, mas havia uma diferença importante: eles já possuíam um catálogo completo de cursos voltados exclusivamente para a área da saúde. Era uma empresa especializada naquele nicho.
Resultado: perdemos o projeto.
Na época, aquilo me trouxe uma reflexão que continua atual até hoje: não basta produzir cursos e colocá-los à venda esperando que o mercado se interesse. É preciso conhecer profundamente um segmento, entender suas necessidades e oferecer soluções que façam sentido para aquele contexto.
A lição daquela experiência continua fazendo sentido. Mas hoje existe uma nova variável nessa equação: o mercado mudou bastante desde então.
Se antes um curso de prateleira competia principalmente com outros cursos, agora ele também compete com IA, YouTube, podcasts, comunidades, redes sociais e uma infinidade de conteúdos gratuitos disponíveis a qualquer momento.
Por isso, acredito que a pergunta deixou de ser “qual curso produzir?” e passou a ser “qual problema resolver?”.
O conteúdo continua importante, mas já não é suficiente por si só.
O diferencial está na capacidade de contextualizar, aplicar, gerar mudança de comportamento e produzir resultados reais para pessoas e organizações.
Então, curso de prateleira vende?
Na minha visão, sim.
Mas não porque é um curso.
Ele vende quando resolve uma dor real de um público específico e entrega algo que vai além do simples acesso à informação.
Fica a reflexão.
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